Gasto o tempo em volta de tinta e páginas em branco, e pintar não me satisfaz. Desenho contornos de letras para criar palavras, mas sentir, sentir já não sei como se faz.
Falo da cidade quase abandonada para não ter que me descobrir, e destruindo-me ao pouco entre paredes transparentes tento ver cores, sem pintar, que me façam sorrir. Acho que não fica mais nada.
Gasto o pouco tempo em volta de tinta e páginas em branco, para te fingir. Finjo-me a mim em contornos de letras para escrever palavras, mas não sei sentir.
Falta luz na cidade, e então, cor para conseguir saber-te decor, mas as memórias não me satisfazem, e não sei sentir de novo. Finjo.
Finjo a noite, como se apenas a luz artificial me soubesse. Pinta-me sobre cores que desistem de mim. Dizes-me saber-me como a noite, mas não me sabes saborear.
Ao querer saber tudo de todas as formas, sou agora ignorante, menos amante, menos sábia. Não sei agora nada de nada. Ao querer sentir tudo, de todas as formas, sou agora insensível, como se me tocasse o invisível.
Nunca quis ter tudo, apenas a mim, e agora sou dona de um delírio sem fim. Rezo as preces de um tormento que degosta o impossível. Deixa-me ser tua ó ser que sabe mais por querer mais, que tem mais por saber menos.
E enfim, só anseio a Primavera. ela sim, vem cheia de tudo.
quarta-feira, 3 de abril de 2013
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
Despertas-me. Com o ar sereno de um sussurro cego, fazes de conta que te vejo para me dizeres que devo acordar. São pequenos os gestos, cheios desse teu calor que me preenchem. Quase sem mentira, deixas um beijo no meu rosto, que recordo agora, quase anos depois.
Embaraças os meus pensamentos num só, e nos passos que os meus pés dão, ouço a sombra dos teus passos. Cega-me esta loucura, quase perfeita de querer o teu olhar de volta, mesmo cego, acompanhado desse sussurro, mesmo cego, a traçar o meu caminho.
Solta-me o cabelo, os braços, o corpo, e dá-te um nó em mim. Ata-me ao teu corpo e deixa-me, assim, livre das recordações, só presente. Neste mísero rebaixar de emoções, evadir-me em ti, só por um momento, porque sei que não me tens, tão pouco.
Embaraças os meus pensamentos num só, e nos passos que os meus pés dão, ouço a sombra dos teus passos. Cega-me esta loucura, quase perfeita de querer o teu olhar de volta, mesmo cego, acompanhado desse sussurro, mesmo cego, a traçar o meu caminho.
Solta-me o cabelo, os braços, o corpo, e dá-te um nó em mim. Ata-me ao teu corpo e deixa-me, assim, livre das recordações, só presente. Neste mísero rebaixar de emoções, evadir-me em ti, só por um momento, porque sei que não me tens, tão pouco.
domingo, 14 de outubro de 2012
Foi esta manhã que acordei sabendo que afinal podia amar de novo. Não, não amo, mas a vontade de me envolver no seu calor despertou-me. Talvez o seu ar jovem, enlouquecido cegamente por formas de ser do mundo. Talvez o seu ser jovem, dizendo que é, com uma certeza que eu já não sei ter. Não, não amo, mas amá-lo-ia se me recebesse, mesmo que apenas por hoje, completamente, no seu corpo. A minha mente segue hoje cada vontade, talvez com medo ou receio de não a saber ter no futuro, de novo. Sigo cada vontade, e na minha quase ingenuidade de querer saber tudo de novo, chamo-lhe "primeiro", o primeiro que me custa esquecer depois de ter visto o Nunca Mais.
Quase desisto de lhe pedir que seja meu, por segundos, e um beijo roubado é silencioso quando suspira que mo devolve. É tão doce...
Clandestinamente guardo segredos que já expus, em toques, pequenos beijos, em ti. E não controlo a vontade de repetir. Vou deixar de pensar no teu nome, vou tentar esquecer tudo o que te disse. Depois disso, fica o teu beijo.
Quase desisto de lhe pedir que seja meu, por segundos, e um beijo roubado é silencioso quando suspira que mo devolve. É tão doce...
Clandestinamente guardo segredos que já expus, em toques, pequenos beijos, em ti. E não controlo a vontade de repetir. Vou deixar de pensar no teu nome, vou tentar esquecer tudo o que te disse. Depois disso, fica o teu beijo.
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Vou pensando desenhos. Faltam folhas de papel quase suficientes para tornar mais lúcido o seu significado. Nos desenhos que penso perdem-se valores a cada traço e, perdidamente, as cores que se imaginam neste retrato de mim a preto e branco. Num último suspiro de ansiedade esvazio curiosamente cada linha; curiosamente por querer preencher, uso o tracejado por querer deixar passar, prendendo.
Não vou falar de ti ou de poucos carinhos, nem sequer de poucos caminhos, não vou falar. Vou pensando desenhos e anseio, simplesmente, andar. Os desejos, postos de lado, não me deixam ficar, e aos poucos vou adormecendo a vontade de não amar.
Não vou falar de ti ou de poucos carinhos, nem sequer de poucos caminhos, não vou falar. Vou pensando desenhos e anseio, simplesmente, andar. Os desejos, postos de lado, não me deixam ficar, e aos poucos vou adormecendo a vontade de não amar.
terça-feira, 26 de junho de 2012
Não tenho o mundo senão páginas meias-escritas, meias vazias, quase apagadas de sentimentos que não se completam. Ficar assim, onde as palavras não têm letras, deixa com desdém a vontade de querer fingir ser menos, ter menos. Ter mais que o mundo em páginas meias-escritas, palavras meias-pronunciadas, desejos mal entendidos e desenhos esboçados em poucos sorrisos, faz-me assim deixar de querer sonhar.
Sonhar faz-me hoje pouco, toca-se menos, faz-se despedaçado de sons e movimentos, em segundos de acordar, em pequenos segundos de se esquecer. Um dedo molhado em aguarela escorrega-me a cegueira deste mundo que não consigo escrever. O que espero? Desenhar no chão com passos o mundo, ao andar, verter a água do copo da tinta com a qual não sei pintar, desiludir o peito em esperanças que se abafam e na falta de paciência pela multidão de personagens, em sonhos, afogar-me. Deixar então de sonhar.
Não quero o mundo senão páginas meias.escritas, e adormecer onde o barulho ensurdece.
Sonhar faz-me hoje pouco, toca-se menos, faz-se despedaçado de sons e movimentos, em segundos de acordar, em pequenos segundos de se esquecer. Um dedo molhado em aguarela escorrega-me a cegueira deste mundo que não consigo escrever. O que espero? Desenhar no chão com passos o mundo, ao andar, verter a água do copo da tinta com a qual não sei pintar, desiludir o peito em esperanças que se abafam e na falta de paciência pela multidão de personagens, em sonhos, afogar-me. Deixar então de sonhar.
Não quero o mundo senão páginas meias.escritas, e adormecer onde o barulho ensurdece.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Vou desenhando com gestos imaturos no meu ventre: sentimentos. Reza-me a loucura que permaneça assim, em mim, desalojada de amor ou desperdícios.
Pedaços de pele vão caindo como se no meu peso já não se sustivessem. Quase como que para ladrilhar o meu caminho, vou raspando-a, permanecendo assim no mais alto do meu ser. São pequenos gestos que dão mais cor ao chão que piso, pequenos gestos como esse, de me deixar cair, para me ladrilhar.
Não reconheço hoje a minha letra, e numa euforia imprecisa de me vir em tudo o que escrevo, não me deixo subjugar pela necessidade de nela me ver escrita.
Recebo-me na minha mão mais do que nunca na boca dos outros. Recebo-me na minha mão. Talvez no meu corpo. na minha grandeza e pequenez: recebo-me, grito-me, suspiro-me, venho-me.
São pequenos gestos, simples e pequenos gestos que me fazem duvidar se realmente me tenho. Pequenos gestos. São loucuras, calores, quase desesperos. Quase que me tiram, quase que me roubam o prazer, quase que me fazem não querer escrever.
Quase que me desprendo da natureza, quase que deixo de criar caminhos, cheiros, odores, toques, suspiros, amores. Quase que me desprendo da natureza no que ela não comporta: franqueza, fraqueza. Perdem-se quase ganhando esses pequenos gestos.
Toco-me criando em mim a dúvida: se me sinto, se me minto. Deixo de me tocar no mesmo instante, como que arrancando cabelos para tecer esta teia, para prender a veia, para cair. Para entrançar a corda. Para subir.
Vou deixando de reconhecer faces, fases, luas. Vou deixando de reconhecer palavras: despidas ou nuas.
Pedaços de pele vão caindo como se no meu peso já não se sustivessem. Quase como que para ladrilhar o meu caminho, vou raspando-a, permanecendo assim no mais alto do meu ser. São pequenos gestos que dão mais cor ao chão que piso, pequenos gestos como esse, de me deixar cair, para me ladrilhar.
Não reconheço hoje a minha letra, e numa euforia imprecisa de me vir em tudo o que escrevo, não me deixo subjugar pela necessidade de nela me ver escrita.
Recebo-me na minha mão mais do que nunca na boca dos outros. Recebo-me na minha mão. Talvez no meu corpo. na minha grandeza e pequenez: recebo-me, grito-me, suspiro-me, venho-me.
São pequenos gestos, simples e pequenos gestos que me fazem duvidar se realmente me tenho. Pequenos gestos. São loucuras, calores, quase desesperos. Quase que me tiram, quase que me roubam o prazer, quase que me fazem não querer escrever.
Quase que me desprendo da natureza, quase que deixo de criar caminhos, cheiros, odores, toques, suspiros, amores. Quase que me desprendo da natureza no que ela não comporta: franqueza, fraqueza. Perdem-se quase ganhando esses pequenos gestos.
Toco-me criando em mim a dúvida: se me sinto, se me minto. Deixo de me tocar no mesmo instante, como que arrancando cabelos para tecer esta teia, para prender a veia, para cair. Para entrançar a corda. Para subir.
Vou deixando de reconhecer faces, fases, luas. Vou deixando de reconhecer palavras: despidas ou nuas.
Preocupam-me desabafos inconsequentes, sem causas ou rumores, que permanecem silenciosos neste cálice de vinho do Porto que se esquece. Desabafos inconsequentes. Imperdoáveis, frios, talvez quentes, de palavras que se esquecem, que se perdem. Que se largam. E as vontades que albergam. Ou desvontades.
Quase como de olhos fechados, na doçura de algo que amarga, vão-se esquecendo, mais uma vez, as palavras. Como suspiros.
Mas nesta vontade de ser sedutora enquanto as escrevo, torno-me invisível. Não sei o que sou, não sei quem sou, e anestesio-me assim como se fosse a única forma de me sentir. Exploro este meu narcisismo de escuro, narcisismo de negro, narcisismo de nada. De nada. Não se percebe e não se é.
Vou-me tornando escrava da solidão, da multidão. Escrava do ar que respiro, escrava de presenças, como se, ausentes, preenchessem cada espaço gelado, cada pedaço desta minha vontade de ser, de ter, nada.
É-me esta vontade no frio. na loucura, nas tremuras, no que escrevo, e não, nunca se verá.
Quase como de olhos fechados, na doçura de algo que amarga, vão-se esquecendo, mais uma vez, as palavras. Como suspiros.
Mas nesta vontade de ser sedutora enquanto as escrevo, torno-me invisível. Não sei o que sou, não sei quem sou, e anestesio-me assim como se fosse a única forma de me sentir. Exploro este meu narcisismo de escuro, narcisismo de negro, narcisismo de nada. De nada. Não se percebe e não se é.
Vou-me tornando escrava da solidão, da multidão. Escrava do ar que respiro, escrava de presenças, como se, ausentes, preenchessem cada espaço gelado, cada pedaço desta minha vontade de ser, de ter, nada.
É-me esta vontade no frio. na loucura, nas tremuras, no que escrevo, e não, nunca se verá.
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