domingo, 26 de dezembro de 2010
Falta-me o Porto, inspiração que uso para escrever, um desaparecer de dores e angústias; fujo-lhe. O Pedro não está aqui, há muito que o não vejo. Concentram-se em mim pensamentos que não venero, que de todas as vezes que me deixo afundar neles me dá vontade de fugir. É isso, vou pegar no carro e vou até à praia, sentar-me na areia, ouvir o mar chegar à sua beira, deixá-lo sussurrar-me palavras que não se soletram. Gostava de cheirar o Verão e sentir a liberdade que ele me costuma trazer. Mas não me perco por isso. Gostava de o fazer... sozinha. Tentar construir na areia aquela torre que um dia desenhei em sonhos, e deixar que o mar a leve...
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Há uma multidão que consome o pouco que a música nos pode dar. Criam-se expectativas sem qualquer objectivo, como se se soubesse o amanhã, e que o amanhã não há. Fazem-se promessas como se houvesse a perder o que o mundo tem, choram-se tristezas como promessas perdidas no que não há. E é esta a visão que Pedro tem do mundo. Por ele passaram sonhos, até que julgou partilha-los com a pessoa certa e, posterior, se julgou incapaz de sonhar... por tantas vezes.
Vive no que diz, então, ser o seu mundo, e apesar de estar rodeado de música, procura outra. Sente-se claustrofobicamente violado por razões que nem o que o compõe justificam. Não há sorrisos neste mundo.
Pedro acha-se único. Decerto alguma razão leva a que se feche. Talvez sinta que nada mais tem para dar, mas porquê? Leio no seu olhar que pretende fugir, mas teria que enfrentar aventuras de novo, pelas quais já passou, pelas quais não passou e nas quais se rejeita envolver. Assim, deixa-se estar no seu canto, fechado na música que mais ninguém ouve.
Pede silêncio, o Pedro, mas grita bem baixo na esperança que o ouçam. Nas suas entranhas guarda recordações que nunca partilhou, talvez porque não se lembra, talvez porque o evita no tempo. À sua volta criam-se hábitos de convergência de acções, com as quais não concorda, mas vai-se deixando ficar entre elas. Talvez o álcool crie essa barreira, talvez a desfaça tanto que o desmaterialize no(s) mundo(s) do(s) qual(is) foge. Porquê ninguém sabe, mas imagina-se hipotético, imagino-o, assim, hipotético.
Não trouxe nada para escrever. Roubei a folha de um caderno para me deixar acompanhar pelas palavras que tento esquecer, tal como Pedro, que as esquece apoderando-se delas nas suas rimas.
Subitamente há uma necessidade de esquecer o seu mundo e partilhar algo com outro(s). Talvez a luz da sua estrela, e fá-la brilhar. Ouve-se tocar a sua música.
Vive no que diz, então, ser o seu mundo, e apesar de estar rodeado de música, procura outra. Sente-se claustrofobicamente violado por razões que nem o que o compõe justificam. Não há sorrisos neste mundo.
Pedro acha-se único. Decerto alguma razão leva a que se feche. Talvez sinta que nada mais tem para dar, mas porquê? Leio no seu olhar que pretende fugir, mas teria que enfrentar aventuras de novo, pelas quais já passou, pelas quais não passou e nas quais se rejeita envolver. Assim, deixa-se estar no seu canto, fechado na música que mais ninguém ouve.
Pede silêncio, o Pedro, mas grita bem baixo na esperança que o ouçam. Nas suas entranhas guarda recordações que nunca partilhou, talvez porque não se lembra, talvez porque o evita no tempo. À sua volta criam-se hábitos de convergência de acções, com as quais não concorda, mas vai-se deixando ficar entre elas. Talvez o álcool crie essa barreira, talvez a desfaça tanto que o desmaterialize no(s) mundo(s) do(s) qual(is) foge. Porquê ninguém sabe, mas imagina-se hipotético, imagino-o, assim, hipotético.
Não trouxe nada para escrever. Roubei a folha de um caderno para me deixar acompanhar pelas palavras que tento esquecer, tal como Pedro, que as esquece apoderando-se delas nas suas rimas.
Subitamente há uma necessidade de esquecer o seu mundo e partilhar algo com outro(s). Talvez a luz da sua estrela, e fá-la brilhar. Ouve-se tocar a sua música.
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Pedro costumava sentar-se no canto do café mais escuro da cidade, e deixava-se estar onde não havia luz, no lugar que para ele seria o mais sombrio. Eu costumava sentar-me na mesa ao lado e ficar ali a aprecia-lo, desejando ser como ele, no seu jeito meio perdido de ser e de estar entre a sua caneta e o seu caderno, enquanto fazia rimas que roubava para que no fim tivessem uma sonoridade cativante.
É diferente a forma como vê o mundo. Parece que não sonha, mas deseja, e no que fica no seu olhar daquilo que ele vê no mundo, revejo-me. As palavras, no sentido que ganham ditas por si, parece que ficam sem sentido. Todos o admiram, todos o abominam, e ele o sabe. Talvez a sua aparência não mostre tudo o que tem para dar, ou a forma como se mostra, para oferecer. É uma incógnita no mundo, aquele mundo por si vivido; não sonha e delira. Sente-se feliz assim; agora que os fantasmas deixaram de assombrar o seu futuro, esquecem-se palavras ditas.
Pedro esconde-se no álcool e no café que lhe fornecem energias que precisa para não sonhar. Anestesia-o mais escrever do que beber, mas bebe para deixar de sentir e, bebendo, perde a vontade de escrever. Esquece-se, assim, do que vive. O Pedro é aquela personagem sobre a qual gostaria de escrever um livro. Fuma sem ser por vício, sendo o seu único e verdadeiro vício escrever. Na esperança que as suas palavras rimem, escreve quadras. Adoro observa-lo na sua ingenuidade de ainda ser novo e achar que sabe dizer o que se esquece de proferir, no propósito de nunca se sentir vazio.
É diferente a forma como vê o mundo. Parece que não sonha, mas deseja, e no que fica no seu olhar daquilo que ele vê no mundo, revejo-me. As palavras, no sentido que ganham ditas por si, parece que ficam sem sentido. Todos o admiram, todos o abominam, e ele o sabe. Talvez a sua aparência não mostre tudo o que tem para dar, ou a forma como se mostra, para oferecer. É uma incógnita no mundo, aquele mundo por si vivido; não sonha e delira. Sente-se feliz assim; agora que os fantasmas deixaram de assombrar o seu futuro, esquecem-se palavras ditas.
Pedro esconde-se no álcool e no café que lhe fornecem energias que precisa para não sonhar. Anestesia-o mais escrever do que beber, mas bebe para deixar de sentir e, bebendo, perde a vontade de escrever. Esquece-se, assim, do que vive. O Pedro é aquela personagem sobre a qual gostaria de escrever um livro. Fuma sem ser por vício, sendo o seu único e verdadeiro vício escrever. Na esperança que as suas palavras rimem, escreve quadras. Adoro observa-lo na sua ingenuidade de ainda ser novo e achar que sabe dizer o que se esquece de proferir, no propósito de nunca se sentir vazio.
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