terça-feira, 5 de abril de 2011

Perdi a consistência nas palavras que agora se afogam. Tomara eu os sonhos serem apenas os sonhos, tremendos na realidade que os procria.
Dói-me o corpo naquilo que ele me traz e não se envolve, e essas palavras que um dia se disseram deixam-se agora cair pelos actos que nos sonhos se demonstram mais fortes, mais precisos, mais imaginados, mas mais reais.
Deixo, então, o tempo ir-se nas miragens que ficam do que hoje sonhei, e as quais disse esperar recordar-me no seu instinto, na sua paixão, como incentivo para me deixar levar quando não durmo... Miragens essas que substituem um abraço, que substituem uma loucura, que substituem qualquer coisa à qual um dia me entreguei sem que me deixasse dar-lhe significado. Hoje estou carente disso.
Mas esta dor no meu corpo não me deixa sequer suportar um suspiro. Deixei-me cegar de toques e sou ignorante de saborear cada olhar ou de ouvir cada arrepio.
Jurei-me ter-me nas minhas colisões, mas colidi com o inatingível e agora não sei mais como me restaurar. Quebrei as mágoas e perdi-me em pedaços.
Hoje acordei sem saber quem sou, e tão cedo não terei capacidade de me descobrir. Esta dor no meu corpo de me sentir imperdoada, imperdoável, de me sentir menos do que eu...

domingo, 3 de abril de 2011

Sento-me à janela deste quarto improvisado para me fechar. Prendo-me entretanto às cerejeiras, que carregadas de flor fazem parecer que tudo à minha volta está coberto por um manto de neve. Apesar de tudo anseio as noites de verão, que vão chegando pela multiplicação das horas durante o dia. Aquele azul intenso que se distingue por entre as estrelas cativa-me. Hoje não, hoje o céu está encoberto, e forma-se nevoeiro, o que me leva a permanecer neste "meu" canto, receosa das temperaturas negativas que imagino lá fora. Ameaça chover. A chuva levará, com certeza, cada pétala das árvores. Ficarão os campos sem cor, sem vida, um misto de preto no branco (aquele que se vê do nevoeiro). Fico sem vida e anseio por sonhar.