quarta-feira, 3 de abril de 2013

Gasto o tempo em volta de tinta e páginas em branco, e pintar não me satisfaz. Desenho contornos de letras para criar palavras, mas sentir, sentir já não sei como se faz.
Falo da cidade quase abandonada para não ter que me descobrir, e destruindo-me ao pouco entre paredes transparentes tento ver cores, sem pintar, que me façam sorrir. Acho que não fica mais nada.
Gasto o pouco tempo em volta de tinta e páginas em branco, para te fingir. Finjo-me a mim em contornos de letras para escrever palavras, mas não sei sentir.
Falta luz na cidade, e então, cor para conseguir saber-te decor, mas as memórias não me satisfazem, e não sei sentir de novo. Finjo.
Finjo a noite, como se apenas a luz artificial me soubesse. Pinta-me sobre cores que desistem de mim. Dizes-me saber-me como a noite, mas não me sabes saborear.
Ao querer saber tudo de todas as formas, sou agora ignorante, menos amante, menos sábia. Não sei agora nada de nada. Ao querer sentir tudo, de todas as formas, sou agora insensível, como se me tocasse o invisível.
Nunca quis ter tudo, apenas a mim, e agora sou dona de um delírio sem fim. Rezo as preces de um tormento que degosta o impossível. Deixa-me ser tua ó ser que sabe mais por querer mais, que tem mais por saber menos.
E enfim, só anseio a Primavera. ela sim, vem cheia de tudo.

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