terça-feira, 10 de junho de 2014

Fui encontrar a lua cega lá no céu, pelas nuvens, já sem ver nem deixar ver. As pegadas já calcadas tantas vezes viram solo intacto ao olhar do prazer, e criam-se vontades, queriam-se vontades, e a lua, cega em torno do não querer. Fui encontrá-la cega no seu caminho à casa da memória, indecente sem-abrigo, rezam pela sua impertinência de não ser gente, a lua, e é tanta gente que ninguém lhe dá on...de dormir. Tenho pena da lua, hoje cega, qual castigo o dela de não poder dormir. Lamento, como queria dar-lhe um teto, algo tamanho, concreto, quem sabe, fazê-la rir.. Mas hoje me deixa, e a lua, presa, tão longe da rua, lá saberá persistir. Amanhã virá mais cheia, de amor e desgraça alheia, tamanha sina a da lua, que tudo pode sentir.

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