Foi esta manhã que acordei sabendo que afinal podia amar de novo. Não, não amo, mas a vontade de me envolver no seu calor despertou-me. Talvez o seu ar jovem, enlouquecido cegamente por formas de ser do mundo. Talvez o seu ser jovem, dizendo que é, com uma certeza que eu já não sei ter. Não, não amo, mas amá-lo-ia se me recebesse, mesmo que apenas por hoje, completamente, no seu corpo. A minha mente segue hoje cada vontade, talvez com medo ou receio de não a saber ter no futuro, de novo. Sigo cada vontade, e na minha quase ingenuidade de querer saber tudo de novo, chamo-lhe "primeiro", o primeiro que me custa esquecer depois de ter visto o Nunca Mais.
Quase desisto de lhe pedir que seja meu, por segundos, e um beijo roubado é silencioso quando suspira que mo devolve. É tão doce...
Clandestinamente guardo segredos que já expus, em toques, pequenos beijos, em ti. E não controlo a vontade de repetir. Vou deixar de pensar no teu nome, vou tentar esquecer tudo o que te disse. Depois disso, fica o teu beijo.
domingo, 14 de outubro de 2012
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Vou pensando desenhos. Faltam folhas de papel quase suficientes para tornar mais lúcido o seu significado. Nos desenhos que penso perdem-se valores a cada traço e, perdidamente, as cores que se imaginam neste retrato de mim a preto e branco. Num último suspiro de ansiedade esvazio curiosamente cada linha; curiosamente por querer preencher, uso o tracejado por querer deixar passar, prendendo.
Não vou falar de ti ou de poucos carinhos, nem sequer de poucos caminhos, não vou falar. Vou pensando desenhos e anseio, simplesmente, andar. Os desejos, postos de lado, não me deixam ficar, e aos poucos vou adormecendo a vontade de não amar.
Não vou falar de ti ou de poucos carinhos, nem sequer de poucos caminhos, não vou falar. Vou pensando desenhos e anseio, simplesmente, andar. Os desejos, postos de lado, não me deixam ficar, e aos poucos vou adormecendo a vontade de não amar.
terça-feira, 26 de junho de 2012
Não tenho o mundo senão páginas meias-escritas, meias vazias, quase apagadas de sentimentos que não se completam. Ficar assim, onde as palavras não têm letras, deixa com desdém a vontade de querer fingir ser menos, ter menos. Ter mais que o mundo em páginas meias-escritas, palavras meias-pronunciadas, desejos mal entendidos e desenhos esboçados em poucos sorrisos, faz-me assim deixar de querer sonhar.
Sonhar faz-me hoje pouco, toca-se menos, faz-se despedaçado de sons e movimentos, em segundos de acordar, em pequenos segundos de se esquecer. Um dedo molhado em aguarela escorrega-me a cegueira deste mundo que não consigo escrever. O que espero? Desenhar no chão com passos o mundo, ao andar, verter a água do copo da tinta com a qual não sei pintar, desiludir o peito em esperanças que se abafam e na falta de paciência pela multidão de personagens, em sonhos, afogar-me. Deixar então de sonhar.
Não quero o mundo senão páginas meias.escritas, e adormecer onde o barulho ensurdece.
Sonhar faz-me hoje pouco, toca-se menos, faz-se despedaçado de sons e movimentos, em segundos de acordar, em pequenos segundos de se esquecer. Um dedo molhado em aguarela escorrega-me a cegueira deste mundo que não consigo escrever. O que espero? Desenhar no chão com passos o mundo, ao andar, verter a água do copo da tinta com a qual não sei pintar, desiludir o peito em esperanças que se abafam e na falta de paciência pela multidão de personagens, em sonhos, afogar-me. Deixar então de sonhar.
Não quero o mundo senão páginas meias.escritas, e adormecer onde o barulho ensurdece.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Vou desenhando com gestos imaturos no meu ventre: sentimentos. Reza-me a loucura que permaneça assim, em mim, desalojada de amor ou desperdícios.
Pedaços de pele vão caindo como se no meu peso já não se sustivessem. Quase como que para ladrilhar o meu caminho, vou raspando-a, permanecendo assim no mais alto do meu ser. São pequenos gestos que dão mais cor ao chão que piso, pequenos gestos como esse, de me deixar cair, para me ladrilhar.
Não reconheço hoje a minha letra, e numa euforia imprecisa de me vir em tudo o que escrevo, não me deixo subjugar pela necessidade de nela me ver escrita.
Recebo-me na minha mão mais do que nunca na boca dos outros. Recebo-me na minha mão. Talvez no meu corpo. na minha grandeza e pequenez: recebo-me, grito-me, suspiro-me, venho-me.
São pequenos gestos, simples e pequenos gestos que me fazem duvidar se realmente me tenho. Pequenos gestos. São loucuras, calores, quase desesperos. Quase que me tiram, quase que me roubam o prazer, quase que me fazem não querer escrever.
Quase que me desprendo da natureza, quase que deixo de criar caminhos, cheiros, odores, toques, suspiros, amores. Quase que me desprendo da natureza no que ela não comporta: franqueza, fraqueza. Perdem-se quase ganhando esses pequenos gestos.
Toco-me criando em mim a dúvida: se me sinto, se me minto. Deixo de me tocar no mesmo instante, como que arrancando cabelos para tecer esta teia, para prender a veia, para cair. Para entrançar a corda. Para subir.
Vou deixando de reconhecer faces, fases, luas. Vou deixando de reconhecer palavras: despidas ou nuas.
Pedaços de pele vão caindo como se no meu peso já não se sustivessem. Quase como que para ladrilhar o meu caminho, vou raspando-a, permanecendo assim no mais alto do meu ser. São pequenos gestos que dão mais cor ao chão que piso, pequenos gestos como esse, de me deixar cair, para me ladrilhar.
Não reconheço hoje a minha letra, e numa euforia imprecisa de me vir em tudo o que escrevo, não me deixo subjugar pela necessidade de nela me ver escrita.
Recebo-me na minha mão mais do que nunca na boca dos outros. Recebo-me na minha mão. Talvez no meu corpo. na minha grandeza e pequenez: recebo-me, grito-me, suspiro-me, venho-me.
São pequenos gestos, simples e pequenos gestos que me fazem duvidar se realmente me tenho. Pequenos gestos. São loucuras, calores, quase desesperos. Quase que me tiram, quase que me roubam o prazer, quase que me fazem não querer escrever.
Quase que me desprendo da natureza, quase que deixo de criar caminhos, cheiros, odores, toques, suspiros, amores. Quase que me desprendo da natureza no que ela não comporta: franqueza, fraqueza. Perdem-se quase ganhando esses pequenos gestos.
Toco-me criando em mim a dúvida: se me sinto, se me minto. Deixo de me tocar no mesmo instante, como que arrancando cabelos para tecer esta teia, para prender a veia, para cair. Para entrançar a corda. Para subir.
Vou deixando de reconhecer faces, fases, luas. Vou deixando de reconhecer palavras: despidas ou nuas.
Preocupam-me desabafos inconsequentes, sem causas ou rumores, que permanecem silenciosos neste cálice de vinho do Porto que se esquece. Desabafos inconsequentes. Imperdoáveis, frios, talvez quentes, de palavras que se esquecem, que se perdem. Que se largam. E as vontades que albergam. Ou desvontades.
Quase como de olhos fechados, na doçura de algo que amarga, vão-se esquecendo, mais uma vez, as palavras. Como suspiros.
Mas nesta vontade de ser sedutora enquanto as escrevo, torno-me invisível. Não sei o que sou, não sei quem sou, e anestesio-me assim como se fosse a única forma de me sentir. Exploro este meu narcisismo de escuro, narcisismo de negro, narcisismo de nada. De nada. Não se percebe e não se é.
Vou-me tornando escrava da solidão, da multidão. Escrava do ar que respiro, escrava de presenças, como se, ausentes, preenchessem cada espaço gelado, cada pedaço desta minha vontade de ser, de ter, nada.
É-me esta vontade no frio. na loucura, nas tremuras, no que escrevo, e não, nunca se verá.
Quase como de olhos fechados, na doçura de algo que amarga, vão-se esquecendo, mais uma vez, as palavras. Como suspiros.
Mas nesta vontade de ser sedutora enquanto as escrevo, torno-me invisível. Não sei o que sou, não sei quem sou, e anestesio-me assim como se fosse a única forma de me sentir. Exploro este meu narcisismo de escuro, narcisismo de negro, narcisismo de nada. De nada. Não se percebe e não se é.
Vou-me tornando escrava da solidão, da multidão. Escrava do ar que respiro, escrava de presenças, como se, ausentes, preenchessem cada espaço gelado, cada pedaço desta minha vontade de ser, de ter, nada.
É-me esta vontade no frio. na loucura, nas tremuras, no que escrevo, e não, nunca se verá.
sábado, 4 de fevereiro de 2012
Talvez na insegurança deste lugar o tempo se faça sentir. Nada parece existir aqui, palavras, sonhos, angústias ou felicidades. De tudo, talvez apenas palavras, escritas nos livros que ninguém lê com vontade de sonhar. Dentro de cada um, a preto no branco, toda uma vontade desesperada mas imatura de ir mais longe e encontrar cor. Na resolução do que não existe, nada mais posso fazer. Sento-me, de novo, na cadeira da insónia para tentar sonhar. Aos poucos esta adaptação acaba por me impedir de o fazer, mas sonhar é sem dúvida algo de que preciso para viver. É talvez ensurdecedora esta vontade, pelo que volto aquele quarto para poder desenhar naquelas paredes. Parece-me incompreendido o objectivo: esquecer. Sonhar de novo, querer. Mas sonhar de novo. Repetir sonhos é quase impossível. Talvez a cólera de o querer, talvez a de tanto o evitar sequer imaginar. Nesse quarto, sento-me à secretária. Transporto-o comigo, mas deixando-o permanecer nesse lugar. Plena de objectivos centro-me apenas naquele que é sonhar, apesar de saber que nada justifica fazê-lo sozinha. Todo o mundo se afasta neste objectivo de esquecimento. Permito-me deixar de querer, não conseguindo fazê-lo.
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