Despertas-me. Com o ar sereno de um sussurro cego, fazes de conta que te vejo para me dizeres que devo acordar. São pequenos os gestos, cheios desse teu calor que me preenchem. Quase sem mentira, deixas um beijo no meu rosto, que recordo agora, quase anos depois.
Embaraças os meus pensamentos num só, e nos passos que os meus pés dão, ouço a sombra dos teus passos. Cega-me esta loucura, quase perfeita de querer o teu olhar de volta, mesmo cego, acompanhado desse sussurro, mesmo cego, a traçar o meu caminho.
Solta-me o cabelo, os braços, o corpo, e dá-te um nó em mim. Ata-me ao teu corpo e deixa-me, assim, livre das recordações, só presente. Neste mísero rebaixar de emoções, evadir-me em ti, só por um momento, porque sei que não me tens, tão pouco.
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