domingo, 22 de setembro de 2013

Violas-me os sentidos. Tudo. Fica demais o tempo onde nada existe, fica demais o momento do vazio, do que percorre os sentimentos sem razão. A razão sem sentimentos deixa de saber o que diz, na obsessão de querer ser apagada de um dos mundos. Violas-me os sentimentos, deixas tudo menos o que fica. Nada fica, nada existe. E tu? não sabes sequer compreender um toque, um querer mais ou menos, no meio dos teus quereres, no meio dos teus quereres violas-me os sentidos, tão perto da realidade como da utopia. Fico-me na utopia, e tu, tão longe um do outro, tão longe e tão perto de mim, deixas-te gastar na realidade.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Foste tu que me ensinaste a sentir como sente uma rosa. Do seu botão, ao seu brotar, à sua prosa. Ensinaste-me a fazer dela poesia. Foste tu que me deixaste o seu perfume, na sua história, e serás tu recordada em cada uma que tocar ou que me tocar. Fazer-me-ás falta quando não houver mais rosas para cheirar. Desenhaste uma rosa no meu peito, no lugar do coração, e lá deixaste a tua mão. Saber-te-ei completa, e saber-me-ei completa por teres sido sempre tu a minha mais linda rosa.
Dancei. Dancei tudo o que tinha, entre histórias, ilusões e submissões ao amor. Dancei tudo. No chão ficam vestígios de sorrisos e decorações que caíram do corpo que já não é meu. E ainda assim, nada me cansa. No sonho fica a vontade de sonhar mais. Esse olhar onde se escondem danças não sabe muito mais que histórias. Sonho que mas contes em passos, trocas de sentidos, e submissões desse chão onde te quero ensinar a dançar. Eu dancei tudo, tudo o que tinha, e na vontade de sonhar mais com o corpo que já não é meu, peço-te um passo emprestado na ilusão de um sorriso nesse olhar. Dança. Dança tudo.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Desenho quase rigorosamente desejos que não sei se tenho. Não me apetece falar de amor. Ao invés de tudo, as esperanças conciliadas com o sossego fazem surgir desapegos, e as vontades contradizem-se em suspiros sem volta, na revolta.
Esqueço ou tento esquecer tudo o que te disse, e nos salpicos de cada palavra avivada na memória, ficam os sorrisos torturados de esperanças sem razão. Quase não fica nada. Esconder suspiros é quase como suster a respiração num desmaio final. Cair nos braços do chão e adormecer na esperança da falta de esperança de sonhar novamente. Mas sonho. Sonho sem razão, porque sonhar com razão seria cronometrar sentimentos e sensações ao soar do coração. Não, não me apetece falar de amor.

Enfim, adormeço antecipadamente num sorriso que não se vê, pelo descansar de outros sorrisos. Nada de esperanças. Num egoísmo impreciso deixo-me querer mais, sem querer falar de amor, ou sequer senti-lo. Esqueço ou tento esquecer tudo o que te disse, até uma próxima vez, quando te falar de amor.