terça-feira, 26 de junho de 2012

Não tenho o mundo senão páginas meias-escritas, meias vazias, quase apagadas de sentimentos que não se completam. Ficar assim, onde as palavras não têm letras, deixa com desdém a vontade de querer fingir ser menos, ter menos. Ter mais que o mundo em páginas meias-escritas, palavras meias-pronunciadas, desejos mal entendidos e desenhos esboçados em poucos sorrisos, faz-me assim deixar de querer sonhar.
Sonhar faz-me hoje pouco, toca-se menos, faz-se despedaçado de sons e movimentos, em segundos de acordar, em pequenos segundos de se esquecer. Um dedo molhado em aguarela escorrega-me a cegueira deste mundo que não consigo escrever. O que espero? Desenhar no chão com passos o mundo, ao andar, verter a água do copo da tinta com a qual não sei pintar, desiludir o peito em esperanças que se abafam e na falta de paciência pela multidão de personagens, em sonhos, afogar-me. Deixar então de sonhar.
Não quero o mundo senão páginas meias.escritas, e adormecer onde o barulho ensurdece.

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