Quase me enganei pelos teus olhos, quase impressionei o pouco que restava do que algum dia designei de esperança. Agora é noite, e fico a pensar que apenas as estrelas me devem o seu brilho, na loucura acentuada de nunca mais querer usar isso que é - loucura - nem por gestos, nem por palavras.
Talvez a solidão das estrelas compense. Já fui do tempo das cartas, onde, mais que um nome, a própria letra enclausurava restos de memórias, saudades e almas partilhadas, restos de amor. Motivações, talvez. Hoje os restos de amor ficam nos corpos, apagam-se no correr da água do chuveiro, e as emoções entopem o ralo por nada mais se poder fazer com elas. Na hora, são grandes, nos dias seguintes, pouco ou nada pode ficar. Tudo porque hoje não se escrevem cartas, não há paciência para receber respostas, emoções, memórias, saudades, motivações, restos de amor. Não há paciência para receber, nem mais para escrever de volta, ou criatividade. Tudo está cingido, restrito a toques, olhares sentimentos, coisas que não se dizem porque o que a palavra de amor cria hoje é medo: medo de sentir, medo de errar, medo de não se ser capaz de a justificar, medo de a receber de volta envolta em simples medos. Então a palavra de amor já não se diz como antes, já não se escreve, e o que se sente fica na corda bamba por atravessar, até cair.
O que fica, então? Cores, cheiros, dores. De olhares, toques. E os amores? O que é feito dos amores?
Dêem-me papel, escrevo-os a todos! Dêem-me palavras, digo-os a todos. Nem que me livre das esperanças.
terça-feira, 20 de agosto de 2013
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
Sentei-me um pouco para refletir sobre todos os amores que já senti. Os fracos, os carinhosos, aqueles por que dei a vida, e os que nunca vivi. Recordaste-me a vontade de amar, numa contradição que se apega a mim e me pede que deixe o tudo que tive de ti, o tudo de ti que sou eu, agora.
O café que engana o sono corre-me nas veias junto com a vontade de dormir para sonhar, para te sentir como amor. Fica-me o olhar que tentaste negar-me e a necessidade que tenho de me querer afastar. Talvez não te volte a ver, talvez fiques apenas na lista desses amores que nunca direi que senti, que me evito, mas quero.
Não sei, decerto, o que me prossegue a seguir a esta tristeza que não posso mais negar, sei que estou na sombra da consciência de que gostaria de te ter mais, no mais que te tive. Talvez sejas mais um amor que nunca viverei. Tenho vontade de ti, porra! E tenho vontade de nunca te ter dito uma palavra, de nunca te me ter dito, tenho vontade de que tivéssemos sido apenas esses olhares negados e essas vontades que mais ninguém soube aceitar. Querer dizer-te que quando te quero é só a ti é maior do que qualquer amor, torna-se uma obsessão por querer dizer-te nada, por querer que esqueças tudo o que te disse.
Sim, amo, desamo. E amo, certamente, incertamente na forma como o vês, incertamente na forma como o explico. Se te sei amar? Não te sei amar; não é coisa que se aprenda. O amor desaprende-se quando não é amor. Não te soube amar? Talvez. Mas quem és tu, afinal, para saberes se amo ou como amo, talvez nem me conheças.
No meu coração cabem todos os amores que já senti, os fracos, os carinhosos, os desrespeitados, aqueles por que dei a vida, aqueles que nunca vivi. E tu, como me amarás, se esqueces tudo o que te disse? Não esqueças tudo o que te disse... Ou antes sim, esquece, esquece tudo o que te disse.
O café que engana o sono corre-me nas veias junto com a vontade de dormir para sonhar, para te sentir como amor. Fica-me o olhar que tentaste negar-me e a necessidade que tenho de me querer afastar. Talvez não te volte a ver, talvez fiques apenas na lista desses amores que nunca direi que senti, que me evito, mas quero.
Não sei, decerto, o que me prossegue a seguir a esta tristeza que não posso mais negar, sei que estou na sombra da consciência de que gostaria de te ter mais, no mais que te tive. Talvez sejas mais um amor que nunca viverei. Tenho vontade de ti, porra! E tenho vontade de nunca te ter dito uma palavra, de nunca te me ter dito, tenho vontade de que tivéssemos sido apenas esses olhares negados e essas vontades que mais ninguém soube aceitar. Querer dizer-te que quando te quero é só a ti é maior do que qualquer amor, torna-se uma obsessão por querer dizer-te nada, por querer que esqueças tudo o que te disse.
Sim, amo, desamo. E amo, certamente, incertamente na forma como o vês, incertamente na forma como o explico. Se te sei amar? Não te sei amar; não é coisa que se aprenda. O amor desaprende-se quando não é amor. Não te soube amar? Talvez. Mas quem és tu, afinal, para saberes se amo ou como amo, talvez nem me conheças.
No meu coração cabem todos os amores que já senti, os fracos, os carinhosos, os desrespeitados, aqueles por que dei a vida, aqueles que nunca vivi. E tu, como me amarás, se esqueces tudo o que te disse? Não esqueças tudo o que te disse... Ou antes sim, esquece, esquece tudo o que te disse.
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