Preocupam-me desabafos inconsequentes, sem causas ou rumores, que permanecem silenciosos neste cálice de vinho do Porto que se esquece. Desabafos inconsequentes. Imperdoáveis, frios, talvez quentes, de palavras que se esquecem, que se perdem. Que se largam. E as vontades que albergam. Ou desvontades.
Quase como de olhos fechados, na doçura de algo que amarga, vão-se esquecendo, mais uma vez, as palavras. Como suspiros.
Mas nesta vontade de ser sedutora enquanto as escrevo, torno-me invisível. Não sei o que sou, não sei quem sou, e anestesio-me assim como se fosse a única forma de me sentir. Exploro este meu narcisismo de escuro, narcisismo de negro, narcisismo de nada. De nada. Não se percebe e não se é.
Vou-me tornando escrava da solidão, da multidão. Escrava do ar que respiro, escrava de presenças, como se, ausentes, preenchessem cada espaço gelado, cada pedaço desta minha vontade de ser, de ter, nada.
É-me esta vontade no frio. na loucura, nas tremuras, no que escrevo, e não, nunca se verá.
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