terça-feira, 6 de maio de 2014

Não. Não vou fazer desta a centésima carta que te escrevi, nem vou usar mais que uma vontade. Coleccionei os teus sorrisos, os teus e os seus, os muitos, poucos, maiores ou menores, verdadeiros e até falsos. Deixei a caixa aberta e eles foram saindo, procurando outras vidas. Hoje soube perguntar-me de onde vêm as certezas de um sorriso com 92 anos. Aquele sorriso de tranquilidade que quase me julga por ser jovem e quase não sorrir. Sim, aquele sorriso que me faz questionar sobre o que é que afinal é verdadeiro no tempo. Um sorriso de paz, de aconchego.
Não vou fazer desta carta a centésima carta de amor que te escrevi, pois já não sei como isso se faz, cartas de amor. Deixei o amor guardado numa caixa aberta para quem o quisesse ir buscar. Chegou o fim do dia e ela estava vazia, mas amanhã haverá mais. Tenho a plena certeza de que amanhã haverá mais.
Coleccionar sorrisos... Ahahahah. E sem os roubar... Hilariante! E chegar ao fim do dia com a caixa do amor vazia. Pura, pura ironia!

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