"Sentou-se ali no canto porque precisava de agarrar o silêncio. Ao menos o silêncio. O tempo, o calor, o suor, o amor e o fado, até o fado, lhe escorriam pelas mãos, como insoluveis nas suas palmas, fugiam ao ritmo de uma valsa interminável. Uma valsa que se sujeitava a dançar sozinha para não se perder no passo, e sentada ali no canto escutava toda essa valsa no silêncio. Apaixonava-se aos poucos ...com a rapidez efémera de um momento, e até a paixão lhe fugia. "Não vamos longe assim", dizia ela. Levantou-se e deixou o espectro do amor colado na poltrona, só para ir ver a Lua lá fora. Foi perguntar-lhe se ela dançava a valsa, convidou-a para dançar. E assim foi, longe do amor e com a paixão a escorrer-lhe pela mão, agarrou a Lua. Sabia que essa também lhe fugiria um dia, mas "Tu voltas", dizia-lhe em sussurro, "Volta, por favor, e traz-me de volta"."
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