terça-feira, 20 de maio de 2014

Bem-vindo, Inverno. Agora que chegaste, as árvores já com folhagem deixam sombras à minha janela que, deseloquentes, me criam medos. Agora que chegaste não consigo distinguir a chuva que cai nos candeeiros de rua, se chove muito, se chove pouco. Bem-vindo. Deixo a janela fechada do quarto pois o frio repentino que chegou não me deixaria descansar, se a deixasse aberta, e mesmo aberta, tu não sairias. Bem-vindo, Inverno, que me molhas os pés quase na esperança de achares que é a única forma de te fazeres tocado. Tretas! Olá, e já que permaneces, traz também a neve, ela que fertiliza as colheitas para novos e felizes agoiros. Hidrata-me também a pele do rosto para que quando vier o Verão eu possa sorrir melhor. Não te faças de cobarde, já que nessas tuas cobardias de só apareceres excêntrico do mundo deixas tudo virado do avesso. Se queres, leva também as folhas fresquinhas das árvores lá fora, que necessito para me acalmarem o calor nos dias mais quentes que me trazes, Inverno.
Fica, se queres conforto. Rouba-o violentamente à minha pele, leva tudo. E o mar, já visitaste o mar? Porque teimas em ficar aqui, aconchegado no meu calor? Que sejas bem-vindo, afinal. Sou hospitaleira, recebo-te com agrado, afinal. E leva tudo, quando saíres. Leva o frio também.

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