sábado, 4 de fevereiro de 2012

Talvez na insegurança deste lugar o tempo se faça sentir. Nada parece existir aqui, palavras, sonhos, angústias ou felicidades. De tudo, talvez apenas palavras, escritas nos livros que ninguém lê com vontade de sonhar. Dentro de cada um, a preto no branco, toda uma vontade desesperada mas imatura de ir mais longe e encontrar cor. Na resolução do que não existe, nada mais posso fazer. Sento-me, de novo, na cadeira da insónia para tentar sonhar. Aos poucos esta adaptação acaba por me impedir de o fazer, mas sonhar é sem dúvida algo de que preciso para viver. É talvez ensurdecedora esta vontade, pelo que volto aquele quarto para poder desenhar naquelas paredes. Parece-me incompreendido o objectivo: esquecer. Sonhar de novo, querer. Mas sonhar de novo. Repetir sonhos é quase impossível. Talvez a cólera de o querer, talvez a de tanto o evitar sequer imaginar. Nesse quarto, sento-me à secretária. Transporto-o comigo, mas deixando-o permanecer nesse lugar. Plena de objectivos centro-me apenas naquele que é sonhar, apesar de saber que nada justifica fazê-lo sozinha. Todo o mundo se afasta neste objectivo de esquecimento. Permito-me deixar de querer, não conseguindo fazê-lo.

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