domingo, 31 de julho de 2011

Sento-me na cadeira da insónia porque o tempo voa entre as mãos de quem não tem asas para o acompanhar. É súbita a forma como permanece lentamente o desassossego, é razia a forma como deixa o corpo sem pele, sem revestimento, sob uma série de impensáveis agressões. Francamente move-se o tempo parado na bolha de que todos são donos, e de lá promete-se não sair mais nada, mas foge a opacidade dessa bolha na pequenês de um mundo que não se revela, que apenas se avalia. Sinto assim essa dor de úlcera que ultrapassa qualquer sono, qualquer sonho. Nem me permito falar em sonhos. Há uma planta que foi semeada no destino, que acaba de morrer, e deixa-se assim permanecer, morta, na falta de consciência da necessidade de água ou alimento, já não se deixa sequer ser regada, ser adubada. Já não cresce.
Sento-me na cadeira da insónia para falar de uma planta que não vive, porque um dia foi um sonho.

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