Vivo entregue a este mundo, que claustrofóbicamente não consegue responder ao que sinto. E sem pedir mais, restam-me apenas as palavras como refúgio de um sonho que sonho cegamente, e de seguida, desfaço, como um tiro bem no meio da alma. Esta alma que não me dá calma e se repete constantemente numa espiral sem razão, sente-me como uma nau a afundar num mar sem ondas. Forma-se, assim, um corropio de emoções que se confundem. Construo então uma frieza naquilo que fica do que alguma vez foi doce, do que alguma vez criou esperança, semeando-me no desassossego.
Aos poucos esta tristeza transforma-se em raiva, numa raiva desse mundo que não me responde, que não me corresponde. Hoje entregar-me-ia a uma sala sem portas ou janelas, nua, nua de mim, nua de tudo. Sem deixar que a criatividade me confunda, sem me deixar envolver por metáforas. Mas porra, que preciso delas para viver.
Não consigo vencer o mundo, não o consigo vender na esperança de algo em troca. Deixo-me, então, adormecer no chão desta varanda, olhando para o gradeamento que me segura, pensando que talvez não me sossegue o insossego. Deixo-me adormecer, sem o querer, sem conseguir, mas nada me mantém acordada. Tento ouvir o mundo, mas nada, nada, nada ele me diz. Não vou sonhar.
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