terça-feira, 29 de março de 2011

Hoje recolho-me na solidão de um lugar que em prol dos ventos, me conserva. Preferi deixar o tempo de lado para mais tarde ser vivido, e deslocar-me sem saber onde permaneço, sem saber onde me encontro, ou o caminho. Lá fora gemem as tristezas do que não foi vivido, mas encontro conforto nas estrelas do que já vivi, e assim sento-me à janela do inalcançável pensando sobre o que esse vento levou, e o que foi levado pelo mesmo.
Sonâmbula de mim mesma toco nas palavras que me disseste, nos gestos que me sentiste. Apetece-me chorar, mas não vale a pena impedir-me de ver com clareza essas estrelas que cintilam no nosso céu. Soube-te aqui uma vez, comigo. Por vezes ainda sinto aquela inspiração de sonhar entre as árvores, de voar entre paredes. Quase que num masoquismo imperdoável, reservei esse mesmo quarto, essa mesma janela, as mesmas árvores, as mesmas paredes.
Recuso-me a mim mesma a culpa de me ter afastado, mas com o tempo sei que terei que me habituar a esta solidão a que me submeti, a esta mentira que vivo na esperança de considerar verdade. Fugir de mim mesma, dos restos que te deixei... Ganhei dentadas marcadas na minha pele e no meu corpo de tudo aquilo que te dei, e fiquei com as cicatrizes que vegetam silenciosamente naquilo a que chamam alma. Depois de tudo, sinto que não a tenho, à alma.

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