Há uma multidão que consome o pouco que a música nos pode dar. Criam-se expectativas sem qualquer objectivo, como se se soubesse o amanhã, e que o amanhã não há. Fazem-se promessas como se houvesse a perder o que o mundo tem, choram-se tristezas como promessas perdidas no que não há. E é esta a visão que Pedro tem do mundo. Por ele passaram sonhos, até que julgou partilha-los com a pessoa certa e, posterior, se julgou incapaz de sonhar... por tantas vezes.
Vive no que diz, então, ser o seu mundo, e apesar de estar rodeado de música, procura outra. Sente-se claustrofobicamente violado por razões que nem o que o compõe justificam. Não há sorrisos neste mundo.
Pedro acha-se único. Decerto alguma razão leva a que se feche. Talvez sinta que nada mais tem para dar, mas porquê? Leio no seu olhar que pretende fugir, mas teria que enfrentar aventuras de novo, pelas quais já passou, pelas quais não passou e nas quais se rejeita envolver. Assim, deixa-se estar no seu canto, fechado na música que mais ninguém ouve.
Pede silêncio, o Pedro, mas grita bem baixo na esperança que o ouçam. Nas suas entranhas guarda recordações que nunca partilhou, talvez porque não se lembra, talvez porque o evita no tempo. À sua volta criam-se hábitos de convergência de acções, com as quais não concorda, mas vai-se deixando ficar entre elas. Talvez o álcool crie essa barreira, talvez a desfaça tanto que o desmaterialize no(s) mundo(s) do(s) qual(is) foge. Porquê ninguém sabe, mas imagina-se hipotético, imagino-o, assim, hipotético.
Não trouxe nada para escrever. Roubei a folha de um caderno para me deixar acompanhar pelas palavras que tento esquecer, tal como Pedro, que as esquece apoderando-se delas nas suas rimas.
Subitamente há uma necessidade de esquecer o seu mundo e partilhar algo com outro(s). Talvez a luz da sua estrela, e fá-la brilhar. Ouve-se tocar a sua música.
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