Desenho quase rigorosamente desejos que não sei se tenho. Não me apetece falar de amor. Ao invés de tudo, as esperanças conciliadas com o sossego fazem surgir desapegos, e as vontades contradizem-se em suspiros sem volta, na revolta.
Esqueço ou tento esquecer tudo o que te disse, e nos salpicos de cada palavra avivada na memória, ficam os sorrisos torturados de esperanças sem razão. Quase não fica nada. Esconder suspiros é quase como suster a respiração num desmaio final. Cair nos braços do chão e adormecer na esperança da falta de esperança de sonhar novamente. Mas sonho. Sonho sem razão, porque sonhar com razão seria cronometrar sentimentos e sensações ao soar do coração. Não, não me apetece falar de amor.
Enfim, adormeço antecipadamente num sorriso que não se vê, pelo descansar de outros sorrisos. Nada de esperanças. Num egoísmo impreciso deixo-me querer mais, sem querer falar de amor, ou sequer senti-lo. Esqueço ou tento esquecer tudo o que te disse, até uma próxima vez, quando te falar de amor.
Sem comentários:
Enviar um comentário