Pouso o papel e a caneta na mesa, e deixo que a história se escreva só assim. São as palavras largadas docemente entre conversas onde o olhar se desmente e há prisões entre carências. Sinto-me mais forte, fraca, capaz de segurar o meu mundo inteiro longe das suas demências. Amor. Incapaz de sonhar espero que algo me acenda a luz durante o sono, na inconsciência de me querer fazer sentir. Não interferi ao transferir as minhas últimas energias no último toque, e não consigo deixar-me tocar. Nem com palavras, nem com mentiras, quanto mais com amor.
A poesia custa a aceitar-se como meras palavras, e escrevê-la sem sentir faz mais sentido do que escrevê-la sem sentimento. Não fica qualquer perigo do seu tormento. E continuo sentada à espera que algo chegue. A campainha não toca e mais uma vez adormeço, talvez, sem objeto de sonho.
Sem comentários:
Enviar um comentário