Pouso o papel e a caneta na mesa, e deixo que a história se escreva só assim. São as palavras largadas docemente entre conversas onde o olhar se desmente e há prisões entre carências. Sinto-me mais forte, fraca, capaz de segurar o meu mundo inteiro longe das suas demências. Amor. Incapaz de sonhar espero que algo me acenda a luz durante o sono, na inconsciência de me querer fazer sentir. Não interferi ao transferir as minhas últimas energias no último toque, e não consigo deixar-me tocar. Nem com palavras, nem com mentiras, quanto mais com amor.
A poesia custa a aceitar-se como meras palavras, e escrevê-la sem sentir faz mais sentido do que escrevê-la sem sentimento. Não fica qualquer perigo do seu tormento. E continuo sentada à espera que algo chegue. A campainha não toca e mais uma vez adormeço, talvez, sem objeto de sonho.
domingo, 8 de dezembro de 2013
terça-feira, 12 de novembro de 2013
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
Se pensar era o que a cegava, ela queria apenas deixar de ouvir o relógio que cronometrava o pensamento até chegar ao fim. Seria sem querer, talvez, que absorvia a falta de sorrisos do mundo e ainda assim criava a fantasia de sorrir para o desconhecido. Fazia-lhe bem a esperança de receber um meio-sorriso de volta, ou da sua ilusão.
Falam pouco as palavras, acha. E a emoção de um abraço não correspondido preenche-lhe os sonhos, como se vivesse simplesmente para dar. Curiosamente percebo-lhe a carência, de tanto gostar já não sabe amar, de tanto dar amor, já não gosta. Assim se cultiva o vazio, como o saldo de uma conta imaginária, é o desemprego que leva à falta de fundo para investimento. Parece-me. Mas ela volta-se e sorri.
Falam pouco as palavras, acha. E a emoção de um abraço não correspondido preenche-lhe os sonhos, como se vivesse simplesmente para dar. Curiosamente percebo-lhe a carência, de tanto gostar já não sabe amar, de tanto dar amor, já não gosta. Assim se cultiva o vazio, como o saldo de uma conta imaginária, é o desemprego que leva à falta de fundo para investimento. Parece-me. Mas ela volta-se e sorri.
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
Evade-me a essência, o que existe. E, sem palavras, gosto de desenhar o frio que me toca quando me deixo voar. Nada mais se sabe na eloquência da realidade, umas vezes a cores, outras a preto e branco, ficam-se as loucuras por escrever, talvez pelo puro egoísmo do medo de sentir. No fim, nada se sabe além do instinto. A pergunta será sempre a mesma, sobre o amor, e perguntar o que é ladrilha o caminho para a insensibilidade quando no fundo ninguém sabe o que é o amor. Mas ninguém sabe o que é o amor.
Amam-se duas ou três realidades diferentes, o querer amá-las torna o sujeito maior. O querer somente amar realidades diferentes faz com que tenhamos mais realidades, mais cor, mais sentido (não, sentido talvez não), mas mais coesão para oferecer amor além da própria realidade que é efémera, completamente efémera. Não vale mentir, então. Não vale mentirmo-nos.
Amam-se duas ou três realidades diferentes, o querer amá-las torna o sujeito maior. O querer somente amar realidades diferentes faz com que tenhamos mais realidades, mais cor, mais sentido (não, sentido talvez não), mas mais coesão para oferecer amor além da própria realidade que é efémera, completamente efémera. Não vale mentir, então. Não vale mentirmo-nos.
domingo, 22 de setembro de 2013
Violas-me os sentidos. Tudo. Fica demais o tempo onde nada existe, fica demais o momento do vazio, do que percorre os sentimentos sem razão. A razão sem sentimentos deixa de saber o que diz, na obsessão de querer ser apagada de um dos mundos. Violas-me os sentimentos, deixas tudo menos o que fica. Nada fica, nada existe. E tu? não sabes sequer compreender um toque, um querer mais ou menos, no meio dos teus quereres, no meio dos teus quereres violas-me os sentidos, tão perto da realidade como da utopia. Fico-me na utopia, e tu, tão longe um do outro, tão longe e tão perto de mim, deixas-te gastar na realidade.
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
Foste tu que me ensinaste a sentir como sente uma rosa. Do seu botão, ao seu brotar, à sua prosa. Ensinaste-me a fazer dela poesia. Foste tu que me deixaste o seu perfume, na sua história, e serás tu recordada em cada uma que tocar ou que me tocar. Fazer-me-ás falta quando não houver mais rosas para cheirar. Desenhaste uma rosa no meu peito, no lugar do coração, e lá deixaste a tua mão. Saber-te-ei completa, e saber-me-ei completa por teres sido sempre tu a minha mais linda rosa.
Dancei. Dancei tudo o que tinha, entre histórias, ilusões e submissões ao amor. Dancei tudo. No chão ficam vestígios de sorrisos e decorações que caíram do corpo que já não é meu. E ainda assim, nada me cansa. No sonho fica a vontade de sonhar mais. Esse olhar onde se escondem danças não sabe muito mais que histórias. Sonho que mas contes em passos, trocas de sentidos, e submissões desse chão onde te quero ensinar a dançar. Eu dancei tudo, tudo o que tinha, e na vontade de sonhar mais com o corpo que já não é meu, peço-te um passo emprestado na ilusão de um sorriso nesse olhar. Dança. Dança tudo.
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